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Enlace Temático

Coordenação:
JOANICE SANTOS CONCEICAO; CARMÉLIA APARECIDA S. MIRANDA; FRANCISCA VERÔNICA CAVALCANTE
O Enlace Temático visa discutir pesquisas e estudos realizados, cujo mote tenham sido as sexualidades, as masculinidades, as feminilidades, a performance, a religião e as relações de gênero, com intuito de compreender de que maneira as categorias supramencionadas têm contribuído para a mudança do estilo de vida, na produção de saberes e gestão de conhecimentos, especialmente da população negra, tendo em vista que os estudos antropológicos e historiográficos envolvendo o mundo do gênero e das sexualidades têm se abundado nos últimos anos. Partindo dessa premissa, as categorias tornam-se mais visíveis quando se interseccionam com outras categorias como raça e classe, pois a atuação e inserção de determinados grupos em diversos setores sociais precisam ser redefinidas de modo a preencher cisões, laços econômicos, familiares, afetivos e simbólicos deixados por um sistema que oprime e exclui aqueles e aquelas que estão fora dos padrões hegemônicos e dos novos modelos econômicos. Tanto no período escravista quanto na atualidade a atuação de homens e mulheres negros requer uma postura diferenciada, isto é, a população negra fez e faz performance estratégica de masculinidades e feminilidades para enfrentar o sexismo e o jogo de poder da sociedade, (FOUCAULT, 1979). Serão bem-vindos trabalhos cuja análise tenha sido feita à luz das teorias pós-colonialistas que privilegiam e reforçam o acesso desses grupos ao capital simbólico que os emancipam, ante a toda vitimização histórica provocada pelo sexismo, pelo classismo e pelo racismo.

Coordenação:
AMANDA MOTTA CASTRO; CARLOS HENRIQUE LUCAS LIMA; MARCIO CAETANO
Infelizmente, a violência é uma realidade marcante na vida de inúmeras mulheres cis e trans. Ainda gozando de níveis de legitimidade, o fenômeno da violência é construído social e culturalmente, tendo como base a desigualdade de gênero, a misoginia, a transfobia, a lesbofobia e outras heranças do sistema patriarcal-colonial. Nesse sentido, fruto das pressões dos movimentos feministas, de lésbicas e mulheres trans, foi sancionada, em agosto de 2006, a Lei Maria da Penha, que visa a coibir e prevenir a violência de gênero. A partir dessas considerações, este Enlace pretende reunir investigações, experiências ativistas e debates sobre processos de exclusão e situações de violência que afetam as vidas das mulheres. Pretende-se, assim, reunir estudos e experiências que compreendam o papel das relações sociais de gênero, da transfobia e lesbofobia na construção de desigualdades que interpelam: (1) o direito ao respeito e dignidade para a vida humana; (2) o acesso às políticas públicas; (3) a inserção no mercado de trabalho; (4) o impacto da Lei Maria da Penha e contra o feminicídio no reconhecimento de direitos de pessoas trans e lésbicas. Encoraja-se, em suma, a proposição de trabalhos que tenham por enfoque as mulheres, permitindo, desse modo, a identificação de estudos que problematizam os processos de dominação e resistência, a vulnerabilidade, a discriminação, bem como as inúmeras violências que ainda fazem parte da vida das mulheres.

Coordenação:
IRAN FERREIRA DE MELO
O papel das línguas para ação humana é tema pautado pelos estudos filosóficos da linguagem há bastante tempo e vem ganhando, nas últimas décadas, contribuições teóricas de pesquisas sobre gênero social muito pertinentes para pensarmos a necessidade de, cada vez mais, linguistas se dedicarem a compreender a relação entre o discurso e a maneira como as pessoas performam suas expressões de gênero. Nessa seara, pretende-se abordar, nesse enlace temático, a urgência do estabelecimento de um campo (in)disciplinar de estudos sobre os modos de operação discursiva que auxiliam na construção de performances pós-identitárias de gênero. Refirimo-nos a um olhar dos estudos da linguagem (e mais especificamente da Linguística) sobre como as diferentes semioses constituem os traços de masculinidade e feminilidade em variadas ordens discursivas. Para isso, buscaremos, neste enlace, concentrarmo-nos em aspectos de construção de gênero, entretanto sem estabelecer as relações falaciosas entre gênero, sexo biológico e orientação sexual, e focalizaremos o lugar da linguagem – sobretudo da linguagem verbal – nas formações subalternas de gênero da sociedade contemporânea, ou aquilo que chamamos de “queer”. Para isso, receberemos participações inspiradas nos estudos basilares sobre o assunto (BUTLER, 1990, LÌVIA e HALL, [1997] 2010). A ideia final é que possamos reunir relevantes trabalhos para nos darmos conta da lacuna que existe dentro da Linguística quando tratamos das contribuições do discurso no engendramento dos gêneros sociais e no tocante à posição de linguistas sobre o assunto.

Coordenação:
PALOMA SILVA SILVEIRA; EMANUELLE FREITAS GOES; MARIANA RAMOS PITTA LIMA
A proposta de enlace temático tem como objetivo debater estudos sobre a prática do aborto no Brasil, que levem em consideração múltiplas perspectivas sobre a temática. O aborto é um evento frequente na vida reprodutiva das mulheres, cujas consequências são demonstradas em pesquisas, que apontam as altas taxas de morbimortalidade decorrentes da realização de procedimentos inseguros, registradas em contexto de criminalização da prática. Estima-se que 19 a 20 milhões de abortos sejam realizados em condições inseguras a cada ano no mundo, dos quais 97% em países em desenvolvimento. Sendo um grave problema de saúde pública, que permanece sem solução no Brasil, o aborto deve ser tratado em posição de prioridade. No contexto atual, observa-se o crescimento de uma onda conservadora, que pode trazer retrocessos a já restritiva legislação brasileira, a exemplo do Projeto de Lei - PL 5069 em trâmite, que dificulta a realização do aborto em casos de violência sexual. A prática do aborto tem sido debatida nos âmbitos político, jurídico, religioso, moral e ético, existindo muitas polêmicas tanto nos casos legais, quanto nos casos ilegais. Pode-se dizer que tais polêmicas são alimentadas, principalmente, pelos segmentos religiosos, conformando um espaço de confronto de, pelo menos, dois pontos de vista: do aborto como uma grave infração moral e como o exercício da autonomia reprodutiva das mulheres. Intersecções de raça, classe e gênero marcam as experiências de aborto, sendo as jovens, negras, de estratos sociais baixos e residentes em áreas urbanas periféricas aquelas mais expostas às graves consequências das complicações decorrentes do aborto clandestino. O enlace trata-se, portanto, de um espaço para dialogar e refletir sobre trabalhos que enfoquem a intersecção entre gênero, raça e aborto, saúde, direitos sexuais e reprodutivos, efeitos do Zyka vírus, tecnologias reprodutivas, temas correlatos, tendências, desafios teóricos, éticos e metodológicos para a pesquisa e afins.

Coordenação:
MICHELLE ARAÚJO MOREIRA; PATRÍCIA FIGUEIREDO MARQUES
A vivência da sexualidade é influenciada pelas relações de gênero e de poder, quer seja no espaço público ou privado. Ademais, o modo de ser dos sujeitos ancora-se na construção social, cultural, histórica, política e ideológica sobre o sexo natural e o sexo social, demarcando condutas e comportamentos, muitos dos quais, estereotipados e centrados em uma lógica heteronormativa. Para operar com os desejos, os afetos, os prazeres e os insucessos da sexualidade, torna-se fundamental compreender as pessoas em toda a sua diversidade de condições e vulnerabilidades. Vulnerabilidades que podem estar na dimensão do sexual, do social, do econômico e do programático. Portanto, abarcar pesquisas e objetos que discutam a sexualidade como um movimento diário de ser e viver no mundo torna-se imprescindível para trazer à esfera do público, questões que ainda permanecem no âmbito do privado ou na marginalização. Superar este modelo de definir condutas e comportamentos pelo sexo natural é primordial para avançar nas problemáticas ou demandas de diferentes públicos, não apenas mulheres e homens, mas aquele(a)s que não se definem dentro de uma dualidade masculino versus feminino. Nesse sentido, (re)significar as normas ou representações de gênero cultuadas socialmente e as relações de poder pode contribuir para a vivência plena da sexualidade dos sujeitos, ampliando o seu protagonismo individual e gregário, especialmente se associadas a variáveis como classe social, cor/etnia, geração, dentre outras. Por fim, os estudos de sexualidade e gênero podem ancorar a implantação ou implementação de políticas públicas afirmativas para grupos que são considerados vulneráveis, minimizando os impactos das desigualdades sociais, sexuais, econômicas e culturais.

Coordenação:
IRANY GOMES BARROS; RAFAEL CORREIA LIMA
Este enlace temático envolve as representações literárias, pesquisas de campo e biografias das famílias homoparentais nos âmbitos sociais, emocionais e físicos da convivência cotidiana. Abordagens das conquistas da sociedade civil brasileira homossexual para a convivência homoafetiva enfatizando o direito a união estável reconhecida por lei aos cidadãos do mesmo sexo. Nesse sentido, abordaremos questões da prática social entre os pares, a permanência fiel e duradoura ou a instabilidade da união homoafetiva por fatores sociais, emocionais, familiares e de interelações. A tradição comemorativa do casamento heteronormal vinculado aos padrões culturais da sociedade civil burguesa e as comemorações festivas de união homoafetiva, bem como, as provocações nos atuais padrões culturais, ético-morais, epistemológicos, estéticos e religioso do casamento civil. Os riscos e acontecimentos que influenciam a união homoafetiva, no que se referem à cidadania, à educação, à política e às tradições culturais. A família homoparental constituída na relação e sua relação conjugal. A conturbação do casamento entre pessoas do mesmo sexo seja por infidelidade sentimental, sexual etc. As condições socioeconômicas e profissionais dos casais homoafetivos e sua relação com o trabalho. A convivência homoafetiva e o preconceito da sociedade heterossexual, abordando a questão da insegurança de uma relação homoafetiva. Contemplaremos ainda as relações intergeracionais, diversidade sexual, relacionamentos homoafetivos abertos, relacionamentos à distância ou virtuais, incompatibilidades entre os pares, o envelhecimento, a solidão, as drogas, a união estável entre pessoas de cor ou raça/etnia divergentes, entre outros, sempre envolvendo a convivência homoafetiva. Também abordaremos a diversidade sexual e os desvios dos padrões da heteronormalidade na união homoafetiva. Sendo assim, o enlace prioriza as causas, desafios e perspectivas que vivenciam as relações homoafetivas.

Coordenação:
VANESSA RIBEIRO SIMON CAVALCANTI; LENISE OLIVEIRA LOPES; MÁRCIA REGINA RIBEIRO TEIXEIRA
Nos diversos campos de atuação – político, social, econômico e jurídico – a questão dos corpos e territórios tem sido tratada pela sua complexidade e traz contribuições nas vivências e nas experiências diárias, organizacionais e sociais, além de destacadas nas agendas acadêmicas e na elaboração de políticas públicas. O objetivo desse enlace é enveredar por questões relativas ao debate sobre identidades, violências e trajetórias, desconstruindo generalizações, estereótipos, lugares comuns sobre sexualidades e corpos. Os últimos anos foram referenciais e proeminentes quanto à interlocução entre essas categorias-conceitos, configurando interfaces e indicando construção de epistemologias por e para as/os investigadoras/es da área temática. Existem Estados que, de alguma maneira, avançam nas legislações contra a violência doméstica e/ou de gênero e, concomitantemente, observam-se retrocessos ou indiferenças em relação aos problemas do crescimento de adolescentes e marcadores de letalidade/genocídio (como Brasil), de debates sobre direitos reprodutivos e sexuais, de violações e de heranças de uma cultura machista/patriarcal, AIDS, leis sobre feminicídio promulgadas no continente latinoamericano ou ainda a questão do tráfico de pessoas; assim como a perseguições, torturas e mortes dos denunciantes de redes de pedofilia e pederastia, tráfico de mulheres e menores compradas/os e vendidas/os pelo comércio para fins de exploração sexual e indústria pornográfica.

Coordenação:
ANDRÉ MITIDIERI; PAULO CÉSAR GARCÍA
Nos tempos atuais, pessoas têm demonstrado falar sobre si, sobre como estão sendo afetadas por questões referentes à violência sexual, ao assédio, à discriminação de identidades de gênero. Por intermédio da mídia, de redes sociais, por meio das artes performáticas, da dramaturgia, da literatura, mulheres, negras, lésbicas, gays, transexuais, travestis, heterossexuais são visualizadxs pelas posturas, atos, pensamentos acerca das maneiras como são tratadxs. As performatividades dessas pessoas são aí operadas por discursos compulsórios do sistema cultural e ainda pelo regime patriarcal. Se as questões em torno de ver a si, como criar a si frente à vulnerabilidade do sujeito no que toca a liberdade de se conduzir na fluidez da subjetividade são problemas para o convívio social, é preciso adentrar em políticas de resistências para descontruir a identidade positivada. Trata-se frequentemente de poder interpretar sentidos construídos pelo sistema paradigmático e pela cultura machista que atinge o gênero binário. Por não querer a exterioridade de feminismos disseminada nos códigos pós-coloniais, nos rompimentos simétricos dxs gêneros e não perceber o trânsito das diferenças sexuais, é uma forma de incitar a reprodução de conceitos afirmativos e positivistas para a pessoa dentro da ordem do corpo. A proposta do enlace temático, aqui, visa permitir leituras críticas para as escritas literárias, em autoras e em autores de narrativas ficcionais e poesias, das dramaturgias e demais textualidades da cultura e que possam, pela via analítica desse processo referencial, apresentar diálogos de punho (auto)biográficos para procurar entender enunciados de sujeitxs agenciados por corpos que afetam e programam a si por outros tons de reflexividades, não esbarrando na fixidez e sim deslocando para a fluidez de subjetividades em discursos que descentralizam o lugar do mesmo e invistam para as diferenças formas de viver. Para quê e o porquê existências em estado-devir aliado a um projeto político de leituras por autores, autoras, críticos e críticas literários/as e da cultura geram palavras-chave para compreender as artes, tendo como referencial gêneros e sexualidades? Caberia questionar aí as suas dissidências, quando ocupam lugares de fala e por onde cartografam o corpo, revelando a si? Os trabalhos aceitos serão direcionados a debater com as proposições apresentadas e com as devidas considerações em mente.

Coordenação:
VANESSA RIBEIRO SIMON CAVALCANTI; BELMIRO VIVALDO SANTANA FERNANDES; KARINE NASCIMENTO SILVA
Buscar-se-á reunir trabalhos e pesquisas que vislumbram possibilidades propositivas entre direitos, educação e sexualidades no locus das instituições públicas, tendo o recorte nas sexualidades dissidentes. Com destaque aqueles que incorporem reflexão acerca as posturas estigmatizadoras e a garantia dos Direitos Humanos através da criação de ações e políticas públicas promotoras de uma cultura de paz e do respeito à pluralidade. Sabe-se que nesses espaços, as violências contra as populações, rompendo com normas e condutas heteronormativas se materializam, legitimam ações discriminatórias e excludentes. Logo, esta conjuntura descrita influencia as práticas pedagógicas (educação formal e não-formal) e as relações interpessoais no dia-a-dia destes espaços/tempos educativos. Por outro lado, há investigações que apontam experiências de enfrentamento e boas práticas a estes problemas socioeducacionais. Com tal intuito, pretendemos elencar e divulgar diálogos sobre denúncias e ações educativas, anunciando experiências de enfrentamento/combate/erradicação aos mesmos. Assim, acolheremos pesquisas e estudos que salientem a. O enlace proposto parte-se do entendimento de que gêneros e sexualidades se fazem e se refazem, continuamente, ao longo de existências e experiências, inúmeras instâncias e instituições encontram-se implicadas na produção dos discursos que fabricam as subjetividades, dentre as quais se destaca as contra - hegemônicas. Portanto, incorporar categorias, agendas e políticas afirmativas da diversidade, da tolerância e da pluralidade assinalam “enlaçamentos” para melhor compreensão das complexidades e onde pensar a alteridade fundamenta o resgate a ética comprometida com o processo de inclusão social e com a dignidade humana.

Coordenação:
VANESSA LEITE; SILVIA AGUIÃO
Observamos nas últimas duas décadas não apenas o crescimento e o fortalecimento do campo de estudos de gênero e sexualidade - em sua intersecção com outros marcadores sociais como raça, classe, geração, entre outros - como a intensa diversificação de recortes empíricos e referenciais teóricos. Esses desenvolvimentos ocorrem de maneira profundamente imbricada à movimentação pela reivindicação de direitos, à renovada visibilidade de novos; sujeitos políticos e à articulação de políticas públicas voltadas tanto ao enfrentamento à violência quanto à garantia de direitos particularmente relacionados a determinados sujeitos, como mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, jovens negras e negros, entre outros grupos sociais. Contudo, também assistimos atualmente a intensificação de discursos que reagem a uma ambiência de efetivação de direitos desses grupos. Nesse cenário, questões relacionadas a gênero e sexualidade têm ocupado lugar de destaque em controvérsias e conflitos sociais nos quais o confronto de diferentes moralidades é acionado como capital de intensa disputa política envolvendo avanços e retrocessos não apenas com relação à consolidação de direitos, mas de respeito à vida. Assim, nos interessa especialmente nesse Enlace estimular a reflexão e o debate em torno de: confrontos relacionados aos processos de constituição de novos sujeitos políticos e consolidação de direitos e seus desdobramentos; diferentes movimentações de grupos e sujeitos na afirmação de direitos e enfrentamentos de hierarquias, opressões e violências; como múltiplas diferenças relacionadas a raça, classe, geração, gênero, sexualidade, entre outras, são articuladas em termos de reivindicação e garantia de direitos; processos de produção de sujeitos e direitos e suas formas de regulação moral e jurídica; respostas estatais de administração e gestão de determinados sujeitos e “populações”.

Coordenação:
HERMANO DE FRANÇA RODRIGUES; ARISTÓTELES DE ALMEIDA LACERDA NETO
O mundo pós-moderno, com seus excessos e rupturas, albergou, como nenhuma outra era, os signos da pornografia. O império das imagens engendrou, ou melhor, concedeu novos lugares e nova indumentária a um fenômeno subjetivo e cultural, que, de modo tácito ou avassalador, percorreu as esferas pública e privada, (des)velando o corpo, o sexo e a sexualidade. Ao escancarar nossos desejos mais recônditos e primitivos, a experiência pornográfica aprisiona-nos à ilusão de que o estranho, adormecido pela lei, poderá, enfim, ser despertado, ao mesmo tempo em que nos conduz à angústia da frustração, quando nos faz fracassar diante da impossibilidade de encenar, no real, o jogo alheio. Parece-nos, desse modo, que a lógica tanática, marcada pela repetição e desagregação, abraça a pornografia e, com efeito, responde por seus efeitos, suas artimanhas e, mormente, por seus danos. Tal configuração, malgrado possa sugerir uma construção negativa, sobretudo se vista sob o prisma da moralidade, revela a potência das forças pulsionais, cujos itinerários (singulares e fantasísticos) põem em evidência a plasticidade da erótica humana. A proposta deste Enlace Temático é congregar pesquisas (concluídas ou em andamento) que busquem analisar as dimensões representativas da pornografia, de modo a compreender as performances que a cercam e as configurações que assumem em nosso contemporâneo. Com vistas a enriquecer o debate e as discussões, as investigações podem debruçar-se sobre o cinema, a música, a publicidades, a literatura, entre outras cartografias. Essa diversidade torna-se fulcral por corroborar a presença de uma diversidade conceitual/imagética, capaz de sinalizar, por exemplo, problemáticas relacionadas ao corpo, ao gênero e ao contato com o outro.

Coordenação:
MOISÉS ALESSANDRO DE SOUZA LOPES; FABIANO DE SOUZA GONTIJO;
O Grupo de Pesquisa Sexualidade, Corpo e Gênero (SEXGEN) da UFPA e o Grupo de Pesquisa em Antropologia do Contemporâneo - Sujeitos, Sociabilidades e Visibilidades (GPAC) da UFMT convidam pesquisadores da Antropologia e das Ciências Humanas a participarem do Enlace Temático “Diversidade Sexual e de Gênero em Áreas Rurais, Contextos Interioranos e/ou Situações Etnicamente Diferenciadas – novos descentramentos em outras axialidades”, que pretende reunir trabalhos cujo tema seja o da diversidade sexual e de gênero em contextos rurais, interioranos e/ou em circunstâncias etnicamente diferenciadas. No Brasil, no âmbito das Ciências Humanas e, em particular, da Antropologia, apesar da consolidação teórica e metodológica dos campos de estudos sobre ruralidade, por um lado, e, por outro, sobre gênero e sexualidade, percebe-se que pouco foram tratados, em ambos os campos, os aspectos relacionados à experiência da diversidade sexual e de gênero nas zonas rurais brasileiras. O mesmo se observa em relação aos contextos interioranos, caboclos e ribeirinhos e às situações etnicamente diferenciadas, indígenas e quilombolas, apesar de os estudos sobre etnicidade e sobre povos e comunidades tradicionais terem uma certa (e longa) trajetória no país. A proposta do enlace temático tem os seguintes objetivos: (1) instigar as reflexões sobre a persistência da (quase) inexistência de pesquisas nas Ciências Humanas brasileiras e, em particular, sobre a diversidade sexual e de gênero em situações rurais e em contextos etnicamente diferenciados; de (2) apresentar novos resultados de pesquisas realizadas nesses contextos (no Brasil em particular e nas Américas como um todo); e, enfim, de (3) propor mais aportes teóricos adequados e planear soluções metodológicas inovadoras para lidar com essas realidades.

Coordenação:
MARCO JOSÉ DE OLIVEIRA DUARTE; MOISÉS SANTOS DE MENEZES; MARILUCE VIEIRA CHAVES
Pretende-se nesse Enlace Temático problematizar e analisar criticamente as políticas públicas específicas para a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) e as demais políticas que contemplem, de forma transversal, interseccional e intersetorialmente ou não, esses sujeitos, com foco nas vulnerabilidades sociais e nas diversas formas de violência que estão submetidas parcela significativa desse público. A temática da diversidade sexual e de gênero no âmbito das políticas públicas em geral tem se tornado cada vez mais um campo emergente, apesar da disputa de forças e do conservadorismo em diversas matizes, ao se trabalhar com as vulnerabilidades e violências sofridas cotidianamente pela população LGBT, contexto esse que (des)potencializa determinados sujeitos tornando-os cada vez mais vulneráveis a determinadas situações e ações dessas mesmas políticas e serviços públicos, tais como educação, saúde, assistência social, socioeducativo, drogas, cultura, lazer, segurança pública etc. Ao tomarmos as produções científicas e epistemologias que se debruçam sobre essa complexidade, toma-se como referência o debate e a análise dessas expressões de vulnerabilidades e violências com essa população na interface das políticas públicas, nas relações de gênero e sexualidade e em suas intersecções com outros marcadores sociais de diferença. Assim, propõe-se a construção de uma cartografia acerca dessas produções, seus sujeitos e percursos, demandas e serviços, direitos e violações, devires e deveres, diferenças e desigualdades, possibilitando, dessa forma, a publicização dessas multiplicidades e epistemologias, seus desafios e ambiguidades que se fazem presente tanto na (r)existência desses sujeitos LGBT em suas singularidades que transitam entre a vulnerabilidade e a violência devido as suas dissidências às normas sociais, bem como nas respostas e estratégias pelo Estado brasileiro, do geral ao local, do universal ao particular, seja nos âmbitos federal, estaduais e municipais, como pelos sistemas de poder, executivo, legislativo e judiciário.

Coordenação:
RITA PATRICIA ALMEIDA DE OLIVEIRA; ALICELY ARAÚJO CORREIA; FABIANA OLIVEIRA DOS SANTOS GOMES
Este Enlace Temático tem como objetivo refletir sobre as relações entre gênero, subjetividades, educação e memória para abordar os diferentes discursos produzidos nos diversos espaços educativos, localmente e na América Latina. As memórias, os discursos, as narrativas, caminhos que indicam para outras perspectivas de análise, principalmente nas práticas educativas, que se voltam a valorização das mulheres que fizeram e fazem parte do processo histórico da Educação. As mulheres vistas como sujeitos atuantes no processo de saber e poder da sociedade, sejam educadoras ou educandas. A partir de abordagem sócio histórica e cultural, busca-se compreender como as políticas educacionais sobre a inserção das discussões de gênero e suas subjetividades nos espaços educativos se estabelecem. E analisar o rebatimento destas ações no cotidiano das escolas, nas universidades nas salas de aula, e nos espaços educativos no geral, identificando a atuação dos estudantes, de educadores e educadoras. Como também perceber os processos e resultados da escolarização, tais como as políticas públicas, o currículo, materiais didáticos, formação de professores e professoras, memórias e narrativas de suas experiências. Nessa perspectiva, buscaremos incentivar, a partir de grupos de investigação existentes, de forma interdisciplinar, o intercâmbio entre as diversas investigações que analisam a realidade local, nacional, internacional de modo a compreender como se estabelecem as relações de poder, de sociabilização, as trajetórias, as memórias de mulheres nos diversos espaços da Educação.

Coordenação:
LEANDRO SOARES DA SILVA; MARCOS FERREIRA GONÇALVES; CAROLINE BARRETO DE LIMA
O objetivo deste Enlace Temático é refletir sobre a relação das produções audiovisuais (cinema e vídeo), artísticas (moda, pintura) e literárias (poesia, conto) e a (re)produção dos sentidos atribuídos à sexualidade, seja ela normativa ou divergente. Desta forma, abriga discussões no campo do audiovisual enquanto documento de épocas e de comportamentos, valorizando-se as interfaces com gênero e sexualidade – numa perspectiva interseccional, bem como pesquisas que tomem a literatura, a imagem e a moda como ponto de partida para a análise das múltiplas formas da expressão das identidades sexuais e de gênero. Logo, busca agregar reflexões que versem sobre cinema, indumentária, costume, produção literária, teatro, performances e suas interconexões na produção do imaginário referente a construção dos sujeitos sexuais. Destaque-se que na modernidade tardia a literatura e o cinema, para não citar outras expressão do mundo da artes, têm ocupado um espaço singular na formação, reprodução e deformação das identidades, revelando-se como locus privilegiado para uma reflexão sobre o pensamento e o meio social que forjam essas representações identitárias.

Coordenação:
MAUREN PAVAO PRZYBYLSKI; VYRNA ISAURA VALENÇA PEREZ; JOSÉ RICARDO DA HORA VIDAL
O presente enlace pretende enfocar as escritas de sexualidades periféricas e desviantes através de um fazer científico que blasfema o ortodoxo. Considerando que o cânone ainda é excludente, pergunta-se: qual o espaço das ditas sexualidades dissidentes (RUBIN, 1989, 1984) entendendo-as aqui como relatos que partem da escrita de transexuais, prostitutas, fetichistas, praticantes de BDSM (Bondage-Dominação-Sado-Masoquismo), Podolatria, Frotteurismo, Dogging, Furries, Exibicionismo, Voyeurismo, Cronofilia, Omorashi, Lactofilia, Cross-Dressing (travestismo fetichista), Swing (e outras modalidades de sexo grupal), Poliamor, Poneyboys/Poneygirls, Cultura Kinky, Narratofilia e outras práticas sexuais fora do mainstream heterossexual e LGBTT. Se o sujeito engendrado só passa a existir na medida de sua própria sujeição às regulações (BUTLER, 1997) então os supracitados não têm outro lugar senão à margem da sociedade? Entendendo, aos moldes de Foucault (1993 apud Louro 2010) que a sexualidade é um dispositivo histórico (1998), uma invenção social já que se constitui, historicamente, a partir de múltiplos discursos sobre o sexo: discursos que regulam, que normatizam, que instauram saberes, que produzem “verdades” e que é no âmbito da cultura e da história que se definem as identidades sociais (todas elas e não apenas as identidades sexuais e de gênero, mas também as identidades de raça, de nacionalidade, de classe, etc.) , identidades essas que constituem os sujeitos, na medida em que eles são interpelados a partir de diferentes situações, instituições ou agrupamentos sociais (LOURO, 2010). Acolheremos, aqui, trabalhos que pretendam ampliar a visão acerca das escritas sobre sexualidades, priorizando a produção e a gestão do conhecimento a partir de uma opção descolonial, que “ao imaginar um mundo no qual muitos mundos podem co-existir” (MIGNOLO, 2007, p.296), nos remete a um debate que enfatize esses olhares periféricos os quais muitas vezes não tem seu espaço reconhecido, mas, sempre, tem muito a dizer.

Coordenação:
VIRGINIA GEORG SCHINDHELM; JONAS ALVES DA SILVA JUNIOR
Este Enlace Temático busca trabalhos e pesquisas sobre gênero e sexualidades infantis e/ou adolescentes, para refletir e dialogar sobre experiências vivenciadas por crianças e por jovens que originaram reflexões e construções de conhecimentos científicos. Buscamos discutir problemáticas contemporâneas associadas às questões de gênero e às sexualidades de crianças e adolescentes, compreendendo-os como produtores de suas subjetividades, singularidades, masculinidades e feminilidades, através de entrelaçamentos com seus pares, com adultos e com outros inseridos em seus contextos culturais, sociais, históricos e políticos. Notícias cotidianas apontam nossa sociedade como lócus de invisibilização, exclusão, discriminação e outras formas de violência, relacionadas ao sexismo, à homofobia e a outras versões discriminatórias que indicam práticas sociais e discursos que cercam os sujeitos de moralidades e normatividades. Pesquisas recentes sinalizam experiências de enfrentamento a estas questões socioeducacionais. Nesta perspectiva, pretendemos reunir trabalhos que indiquem problemas e/ou experiências de combate a elas. Assim, acolheremos pesquisas que envolvam crianças, jovens, educadore(a)s e todos que, de alguma forma, contribuam com seus discursos e práticas na produção social do gênero e das sexualidades de crianças e adolescentes. Considerando a relevância desses temas, em especial, acerca dos desdobramentos que podem refletir nas formas de lidar consigo, com seu corpo e com o mundo na vida infantil, adolescente e adulta, buscamos promover diálogos sobre experiências com propostas que discutam práticas sociais e/ou pedagógicas e suas formas de lidar com as questões de gênero e sexualidades em diferentes instituições. Entendemos que esses trabalhos venham ajudar-nos a melhor compreender a complexidade da arte de (con)viver no cotidiano familiar, escolar, eclesiástico, dentre outros, ampliando as leituras de mundo de todos que nelas estão inseridos, numa perspectiva emancipatória de práticas e pedagogias que envolvam e respeitem a diversidade sexual e de gênero.

Coordenação:
ERIK GIUSEPPE BARBOSA PEREIRA; LEANDRO TEOFILO DE BRITO
Debater sobre gênero e sexualidades significa transitar nas relações e representações de mulheres e de homens em uma determinada sociedade. Nesse sentido, um ponto essencial para compreender o motivo do surgimento dessas inquietações é o conceito sociocultural e histórico em que se inseriu. Na tentativa de reconstruir experiências excluídas, várias áreas do saber têm socializado o conhecimento produzido como categoria de análise. Nesse embate cultural, torna-se necessário observar os modos como se constrói e se reconstrói a posição da normalidade e a posição da diferença, e os significados que lhes são atribuídos. Epistemologicamente, um Grupo Temático que trate da questão “Gênero e sexualidades na Educação Física e no Esporte”, pode se justificar, uma vez que este tema está presente não apenas dando nome a grupos de pesquisa junto ao CNPq, como também esta questão esta presente em linhas de pesquisa de alguns programas de pós-graduação. Esta iniciativa tem como objetivo principal congregar pesquisadores que discutam questões de gênero e sexualidade no campo de estudos da Educação Física, dos esportes e das práticas corporais em geral. Outro contribuir com a pesquisa e literatura sobre o gênero, abordando a construção social do corpo, refletindo sobre as atitudes de homens e mulheres diante das relações sociais, das práticas de atividades físicas e esportiva, a construção social do corpo, uma vez também concebidas como fenômeno social. Reconhecemos tais espaços como generificados, assim como regulados por processos de heteronormalização que buscam classificar corpos e sujeitos dentro de premissas binárias e hierarquizadas. Trabalhos que pesquisam e/ou teorizam sobre performances de masculinidades e feminilidades, sobre a visibilidade de diferentes orientações sexuais, como também de pessoas transgêneros e intersexuais (em intersecção com marcadores de diferenças como classe, raça, deficiência, geração, etc.) na Educação Física e no Esporte. É fundamental perceber que decisões no âmbito acadêmico e científico têm como desafio responder as necessidades do momento, mas principalmente considerar prospectivamente, ou seja, pensar no futuro da área e os impactos da decisão do momento neste futuro.

Coordenação:
MARIA DA CONCEIÇÃO M. CARDOSO VAN OOSTERHOUT; FRANCISCO JOMÁRIO PEREIRA; LEANDRO TEOFILO DE BRITO;
Na contemporaneidade, observa-se a intensificação dos debates em torno da diversidade sexual, pluralismo religioso e movimentos sociais, que reflete um intenso processo de transformações da subjetividade, luta por reconhecimento, quebra do monopólio católico, atuação política do movimento feminista e homossexual etc.; O Enlace Temático tem por objetivo a promoção de diálogo para acolher estudos interdisciplinares que tratem dessas questões na contemporaneidade. Queremos que este debate traga ao cenário diferentes contribuições sobre a percepção do gênero em uma dimensão mais ampla por isso a relação entre Gênero, Religião e Movimentos Sociais. Pretendemos destacar a importância de visões críticas para por em cheque os prejuízos trazidos no âmbito de concepções tradicionais que acabam por reforçar práticas da intolerância religiosa frente à compreensão do gênero na atualidade. O grupo fica aberto para a participação de estudiosos e membros de movimentos afins, que queiram trazer seus estudos teóricos e experiências práticas, individuais ou de grupos.

Coordenação:
DIEGO SANTOS VIEIRA DE JESUS; DANIEL KAMLOT
A economia criativa refere-se a bens e serviços baseados em textos, símbolos e imagens e ao conjunto diversificado de atividades pautadas na criatividade, no talento ou na habilidade individual, tendo produtos que incorporam propriedade intelectual e abarcando um vasto conjunto de áreas como publicidade, arquitetura, mercado de artes e antiguidades, artesanato, design, design de moda, cinema, software, softwares interativos para lazer, música, artes performáticas, setor editorial, rádio, TV, museus, galerias e atividades relacionadas às tradições culturais. Os setores criativos vêm-se mostrando como motores do desenvolvimento socioeconômico e elementos fundamentais do planejamento urbano e regional em inúmeros locais ao redor do planeta, em especial nas “cidades criativas” que investem nesses setores para a geração de emprego e renda e a melhoria de infraestrutura. Esses setores buscam se apresentar como domínios abertos e igualitários para todos os profissionais. Entretanto, críticos apontam que a economia criativa parece basear-se numa noção de empreendedorismo que favorece modelos masculinizados de trabalho desestandardizado e flexível e contribui para a manutenção e a reprodução da desigualdade de gênero e sexualidades. O objetivo do enlace temático é promover discussões acerca das questões de gênero e sexualidades nos setores da economia criativa, que se enquadrem primordialmente nas seguintes temáticas: a) desigualdade de gênero e sexualidades nas relações de trabalho nos setores criativos; b) políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades de gênero e sexualidades em cidades e outros territórios criativos; c) política cultural, empreendedorismo criativo e questões de gênero e sexualidades; d) educação, gênero, sexualidades e economia criativa; e) planejamento urbano e regional, economia criativa e desigualdades de gênero e sexualidades.

Coordenação:
MARY GARCIA CASTRO; KARINE NASCIMENTO SILVA; CLEDINEIA CARVALHO SANTOS
Este Enlace Temático busca reunir trabalhos e pesquisas que envolvam as questões de gênero, etnicidade e as sexualidades plurais tendo o recorte nas juventudes, com o objetivo de reverberar o diálogo e possibilidades entre as temáticas no âmbito da comunidade escolar. Busca-se discutir a tríade a partir da compreensão de que @s seres human@s produzem, suas subjetividades, singularidades, masculinidades e feminilidades, através de enlaçamentos e interseções com seus pares, como também com tod@s @s outr@s que estão inserid@s em seus contextos culturais, sociais, históricos e políticos. No entanto, ofensivas de parlamentares juntamente com seguimentos conversadores em nome da religião são contra o debate acerca das questões de gênero e das sexualidades plurais no contexto da escola. O retrocesso em relação ao Plano Nacional de Educação - PNE, sugere que de fato mesmo @s conservador@s reconhecem e temem que tais discussões são fundamentais no fomento ao pensamento crítico que reverbera a (des) construção de preconceitos e estigmas constituídos na escola. A urgência de uma educação anti-machista, anti-LGBTTIQfóbica e antirracista na educação se impõe e vem sendo defendida por diversos pesquisador@s, considerando as violências que as práticas de ódio vêm causando em crianças, adolescentes e jovens. O enlace proposto parte-se do entendimento e urgência na educação do enfoque nos estudos sobre as questões de gênero, ressaltando as singularidades inclusive das identidades não heteronormativas, das relações raciais e as hierarquias estigmatizantes. Diante disso, pensa-se em trabalhos relacionados com as tensões e negociações que auxiliem na melhor compreensão da complexidade e arte de (con) viver no cotidiano escolar, ampliando leituras de mundo de tod@s que nela estão inserid@s, numa perspectiva emancipatória de práticas e pedagogias. Busca-se debater a formação de subjetividades, produção e/ou ausência de práticas/ideário que colaboram com violências e as estratégias juvenis em tais embates e seus questionamentos acerca de gêneros, sexualidades e as questões raciais.

Coordenação:
RODOLFO RODRIGO SANTOS FEITOSA
Gênero e sexualidade são temáticas que possuem especial relevância nos estudos contemporâneos envolvendo o mundo do trabalho e a realidade nas práticas organizacionais. Uma importância que decorre, em grande medida, das problemáticas referentes às desigualdades, discriminações e lutas por reconhecimento que se estruturam nos ambientes de trabalho e produção sob formas e contextos diversos. Neste sentido, o presente Enlace Temático pretende-se um espaço de discussão e reflexão crítica acerca das dinâmicas de divisão e organização social do trabalho e dos trabalhadores(as), discrepâncias e/ou equiparações remuneratórias, disposições e composições de estruturas hierárquicas organizacionais e representações, práticas e vivências dos sujeitos envolvidos nos processos de trabalho e gestão, sob os enfoques de gênero e/ou sexualidade. Compreende-se pertinente a este debate, trabalhos que sejam resultantes de pesquisa empírica, estudos comparativos de realidades organizacionais, levantamentos contextualizados e de análises teórico-metodológicas que suscitem limites e possibilidades ou recuperem o “estado da arte” desse campo de investigação. Ao mesmo tempo, incorporam-se também as investigações acerca da construção e aplicação de conhecimentos que reverberam mudanças em realidades organizacionais sob o desenho de novas formas e arquiteturas de gestão caracterizadas por estratégias e processos de reconhecimento e tratamento equitativo da diversidade de gênero e sexual. Reconhecendo as dimensões de transversalidade e interdisciplinaridade tocantes às questões de gênero e sexualidades no trabalho e nas organizações, pretende-se, com esta proposta, uma interlocução extensa que permita a apresentação dos múltiplos recortes teóricos e metodológicos possíveis às abordagens das ciências humanas e sociais. Com isso possibilita-se análises que se desenvolvam tanto no escopo de disciplinas específicas, como aquelas que ultrapassam marcações disciplinares restritivas, dando vazão a um profícuo cenário compreensivo sob percursos e vieses variados.

Coordenação:
CLAUDIA PONS CARDOSO; ANA CLÁUDIA LEMOS PACHECO; MARCO ANTÔNIO MATOS MARTINS
Esse Enlace visa agregar pesquisas e relatos de experiência no campo da Educação que tenham como foco uma análise crítica e reflexiva no tratamento de questões referentes aos gêneros, às sexualidades e à raça, buscando diálogos e práxis articuladas e interseccionais que desmitifiquem e problematizem a abordagem dessas temáticas em contextos educacionais, sejam eles formais ou informais. Desta forma, tenta reunir reflexões e práticas pedagógicas voltadas para o enfrentamento das questões morais e religiosas, historicamente forjadas, que fundamentam e perpetuam processos de exclusão de grupos subalternizados, com especial interesse em enfoques e metodologias teóricas e empíricas que se contraponham ao processo de ensino tradicional e excludente, apresentando alternativas de transformação e equidade com vista a uma pedagogia libertária.

Coordenação:
ANA CRISTINA CONCEIÇÃO SANTOS; MARIA APARECIDA SILVA
Este enlace temático foi apresentado no IV Enlaçando Sexualidades com um número significativo de trabalhos inscritos demonstrando a necessidade urgente da discussão proposta. Na quinta edição desse seminário pretendemos continuar oportunizando a divulgação do conhecimento, o diálogo e debate acadêmico reunindo através de pesquisas, em andamento ou concluídas, o enfoque, sob diversas perspectivas, interseccional das identidades de gênero, raça e sexualidades e como essas múltiplas identidades quando reprimidas questionam as identidades dominantes. Essa proposta de Enlace Temático se constitui como um desafio no âmbito da academia devido à invisibilidade e não importância dada para esse recorte, pois ao pesquisar considerando o sujeito em suas múltiplas identidades reafirmamos que as estruturas de opressão não devem ser analisadas separadamente. Almejamos continuar promovendo um lugar de reflexão entre pesquisadoras e pesquisadores que desenvolvem estudos interseccionais com essas temáticas oportunizando, dessa forma, a troca de conhecimentos e ampliação de pesquisas referentes ao tema, visto que, ainda se constitui questões pouco exploradas e incentivadas pela academia trabalhos que trazem o debate em torno das interseccionalidades proposta.

Coordenação:
ZULEIDE PAIVA DA SIOLVA; AMELIA TEREZA SANTA ROSA MARAUX; CARLA SIMARA LUCIANA DA SILVA SALASÁRIO AYRES;
Estruturados na resistência à heterossexualidade dominante e orientados pelas bandeiras da diversidade sexual, racial, gênero e classe, os movimentos de lésbicas e mulheres bissexuais apreendidos como territórios de saberes e praticas coletivas de produção de identidades cultural e políticas, têm sua história imbricada aos movimentos de mulheres heterossexuais, negro e LGBT, embora sua trajetória seja deveras invisibilizada por todos eles. Passados mais de três décadas desde sua origem atrelada à efervescência dos movimentos sociais urbanos que protagonizaram a luta por direitos e cidadania nos anos 1980, ainda faz-se necessário reafirmar o papel fundamental das lésbicas e das mulheres bissexuais organizadas na construção do estado democrático de direitos que se instalou no Brasil. Faz-se necessário, sobretudo, ressaltar o conhecimento e lugar político das lésbicas e mulheres bissexuais no enfrentamento não só à lesbofobia e à bifobia, mas também a diferentes expressões de machismo, racismo e embates de classe. Assim, Orientado pela compreensão de que a tomada de consciência dos segmentos sociais e comunidades mantidas sem direitos sociais e políticos promove presenças incômodas que interrogam o Estado e suas políticas de manutenção das desigualdades, este Enlace objetiva a articulação entre processos de produção e difusão de conhecimento dos movimentos de lésbicas e mulheres bissexuais, democracia e sexualidade feminina. Desse modo, o Enlace reuni trabalhos que abordam histórias, memórias e experiências formativas dos movimentos de lésbicas e mulheres bissexuais no Brasil, bem como aqueles que analisam suas respectivas relações e interseccionalidades a partir dos marcadores de raça e classe, e que analisem ainda os processos organizativos destas atrizes como sujeitos políticos, numa perspectiva que demarque suas ações em consonância com a reivindicação de direitos, políticas públicas e construção democrática no país. Também reúne trabalhos que reflitam experiências de silenciamentos e visibilidade na formação da identidade lésbica e bissexual.

Coordenação:
ELAINE CRISTINA CAMBUI BARBOSA; CLEBEMILTON GOMES DO NASCIMENTO
O momento histórico e político em que estamos atravessando nos coloca diante do grande desafio de experimentar outros modos de pensar e fazer pesquisa, especialmente no campo dos estudos de gênero e sexualidades. Entendemos que existe uma crescente necessidade de buscar caminhos investigativos que vislumbrem a complexidade dos nossos objetos de estudos e rompam com as fronteiras disciplinares e metodológicas entre as diferentes áreas do conhecimento. Esse movimento pressupõe o reconhecimento de conceitos e operadores que ultrapassem as disputas políticas e promovam trocas epistemológicas mais efetivas e dialógicas que vai exigir um esforço coletivo de criação de princípios para a construção de redes colaborativas e solidárias na modelagem e difusão do conhecimento. A proposta deste Enlace temático é discutir sobre os atuais estudos de gênero e sexualidades, os modos como são produzidos, as metodologias e os sistemas de representação desse conhecimento, privilegiando propostas metodologias que expressem toda a complexidade destes temas. Pretendemos abrir um espaço de trocas de experiências que permita o cruzamento de saberes entre pesquisadorxs que desejam aproximar abordagens metodológicas do campo das Humanidades com outros domínios de saber aparentemente distantes (ciência da computação, física, medicina, direito, economia, dentre outros). Acolhe trabalhos oriundos de pesquisas concluídas ou em andamento que friccionam pontos de contato e de intersecção entre diferentes áreas. Acreditamos que as pesquisas no campo das Humanidades, quando inscritas na dinâmica do digital e da sua dimensão multi-transdisciplinar, integram legitimamente a construção epistemológica complexa, multireferenciada e polilógica da produção e difusão do conhecimento.

Coordenação:
KÊNIA GONÇALVES COSTA; BRUNO DOS SANTOS HAMMES; CAIO FELIPE CAMPOS CERQUEIRA
"As cidades brasileiras de Rio de Janeiro e São Paulo (e também, em alguma medida, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Porto Alegre), foram e ainda são consideradas representativas da cultura brasileira. Estas mesmas cidades (e mais algumas), foram e ainda são grandes polo de atração de migrantes nacionais e internacionais o que sempre foi acompanhado de reforçadores, leia-se políticas públicas em saúde, educação e emprego que reforçavam este movimento. No que tange a pesquisa e a educação, não é por acaso que sediam algumas das universidades mais antigas ou mais bem conceituadas do país. O que mudou na última década com políticas públicas alinhadas à interiorização e fixação de doutores nas regiões interioranas do país. Outro fator que estabelece este novo tipo de política é o “inchaço” e crescimento “desordenado” das cidades, bem como a estabilização e/ou migração de retorno de parte da população, como mostra a série histórica produzida pelo IBGE que aponta que de 1980 à 1981 a população rural encolheu cerca de 5%, chegando a 25% do total e que para nova redução em igual percentual foi preciso o dobro do tempo, ou seja, 20 anos e em 2010. Ainda em relação a estas cidades se constitui discursivamente outra ideia relativa à seu “cosmopolitismo” e maior permissividade relativa a alguns temas como, por exemplo, a (homo)sexualidade feminina e masculina. E, sobre estas bases, com o auxílio de movimentos sociais e, imbuídas de certo espirito “democrático”, estas cidades, mas especificamente suas universidades e mais especificamente os cursos na área de humanidades (muito pressionados por movimentos sociais, em especial os movimentos feministas e negros) abriram caminho para se estabelecer linhas de pesquisa e consolidar espaços históricos com relação à estes temas. E assim se produziu rica literatura sobre os temas, mas em sua grande parte, recortados e marcados por certa “urbanidade”, urbanidade dos grandes centros e suas periferias. Foge a está perspectiva o trabalho de professor Peter Fry sobre homossexualidade masculina em contexto de religião africana realizado em Belém do Pará, o que não significa nem mérito nem demérito apenas uma constatação. Mais recentemente, através das políticas públicas de expansão do ensino e da pesquisa, já mencionados, estes temas passaram a acompanhar pesquisadores/as em seus deslocamentos. O fato é que Gênero, raça, sexualidade, juventude/velhice e classe são dimensões que atravessam as mais diversas experiências sociais de diversas formas e de acordo com os mais diversos contextos, ganhando assim expressões, enredos e justificativas diversas (ou únicas) e não são, nem nunca foram exclusividade das grandes cidades. Sendo assim, podemos as entender enquanto variável/marcador social, que produz discursivamente lugares, status, formas e valores que se aplicam em relação social, que pode inclusive se alterar/adequar conforme se muda de ambiente/contexto e sociabilidades. O produto destas variáveis podem ter efeitos, inclusive, nas predileções afetivas dos sujeitos, é o que sustentam alguns estudos nas referidas áreas. E é tentando acompanhar e dar espaço de debate, enfatizando o contexto das práticas que este Enlace Temático pretende acolher pesquisas que enfoquem suas análises em contextos diferenciados, tais como: ruralidades; cidades de médio e pequeno porte; contextos étnicos diferenciados; etnologia; religião e outros que não nos permitimos ainda pensar. Pretende-se criar um espaço de diálogo onde as dimensões contextuais, as re-interpretações, as re-significações e as percepções dos temas elencadas, a saber, gênero, sexualidade, raça e suas intersecções sejam o eixo da discussão. Estudos de casos, diários de campo e todo tipo de reflexão que conjugue contexto de alteridade às grandes cidades e ao menos um destes marcadores serão bem-vindos neste ET."

Coordenação:
TEREZA CRISTINA PEREIRA CARVALHO FAGUNDES; ÂNGELA MARIA FREIRE DE LIMA E SOUZA
Uma mirada no momento histórico atual no Brasil a partir da nossa perspectiva de educadoras feministas exige uma reação consistente aos retrocessos que se anunciam ou mesmo se configuram em propostas e normas em âmbito nacional, que excluem discussões sobre sexualidade e gênero na Escola. Neste contexto, se impõe a necessidade de ações coordenadas no sentido de produzir investigações/ações que articulem currículo sexualidade e gênero, com vistas à acumulação e sistematização de conhecimento derivado de investigação competente no sentido de contribuir de maneira decisiva para a formação de sujeitos conscientes sobre diferenças, identidades, diversidade, respeito e autonomia, sem as amarras da tradição patriarcal e sexista que ainda marcam a nossa sociedade. A escola é um espaço político e tem sido instrumentalizada para reproduzir desigualdades de gênero, classe, raça, geração; nesse contexto, avanços e interdições culminam com continuidades e descontinuidades de ações educativas. Cabe-nos então, investir em ações formativas no campo da Educação Sexual e garantir sua divulgação e aperfeiçoamento constantes. Este Enlace Temático objetiva criar um espaço para estas discussões e possibilitar o encontro e consequente diálogo de pesquisadoras(es) e educadoras(es) que realizem estudos e trabalhos sobre temáticas como: 1 – Experiências de práticas docentes sobre a temática nos diferentes níveis; 2 - Resultados de pesquisas de campo; 3 - “Estados da arte” das pesquisas e da bibliografia no campo; 4 - História da Educação Sexual sob a perspectiva de gênero no Brasil; 5 – Relatos de projetos de educação para a sexualidade em escolas; 6 – Combate à homofobia no ambiente escolar; 7 – Obstáculos para o uso de práticas educativas sobre sexualidade nas escolas.

Coordenação:
MARIA JOSÉ SOUZA PINHO; RITA DE CASSIA COSTA MOREIRA; TEREZA CRISTINA PEREIRA CARVALHO FAGUNDES
As questões de desigualdades de gênero, sexualidade, geração, “raça” e classe, e a intersecção destas categorias, têm se constituído como um dos principais embates na delimitação dos estudos de gênero e sexualidade, no que se refere à produção de conhecimentos dentro da Universidade. Recentemente notamos intensas transformações de acesso à educação superior, em especial as várias mudanças que tem contribuído para tal fenômeno, como por exemplo, o SISU - Sistema de Seleção Unificada e a Lei de Cotas-Lei nº 12.711/12. Interessa-nos discutir em que medida estas transformações tem alterado o perfil dos jovens que acessam este nível de ensino no Brasil e questões implicadas neste contexto. A discussão se pauta não apenas no acesso de mulheres ao ensino superior, mas na garantia de que as oportunidades educacionais sejam de qualidade e que não reproduzam assimetrias e discriminações de gênero ou de qualquer outra ordem, legitimando e dando visibilidade às suas experiências, habilidades, capacidades e aprendizados. Nesse contexto a proposta deste Enlace Temático consiste em reunir pesquisadoras e pesquisadores interessados em refletir e socializar conhecimentos sobre a produção de saberes, gênero, sexualidade e sobre a inserção e permanência das mulheres de distintas categorias no ensino superior (considerando as desigualdades historicamente construídas entre mulheres e homens).

Coordenação:
MARIA DE FATIMA LIMA SANTOS; EDMEIRE EXALTAÇÃO
Partindo de contextos contemporâneos e da ‘raça’ - enquanto ficcional e materializada nos corpos e processos de subjetivação nas mulheres negras - o enlace temático tem como proposta discutir as interseccionalidades entre raça, gêneros, sexualidades e desejos em diferentes experiências i práticas discursivas. Atualmente, as discussões do que podemos chamar de interseccionalidade (expressão batizada por Kimberlé Williams Crenshaw) têm proporcionado discutir o tema das alteridades (diferenças), posições de sujeitas*, lugar de fala, desigualdades (assimetrias), privilégios sociais e, principalmente a ausência das mulheres negras tanto nas discussões na categoria ‘mulher’ quando na categoria ‘negro’. Esse território discursivo (o debate interseccional) - não tão recente assim - é transversalizado por diferentes linhas de pensamento: os estudos subalternos, o feminismo pós-colonial, o black feminism (o feminismo negro), o feminismo mestiço e o feminismo descolonial; constituindo um rico dispositivo que nos possibilita enfrentar as questões atuais e as cenas micropolíticas cotidianas no que se refere a gênero, raça, classe, interseccionalidade, feminismo, entre tantas outras questões que interpelam a todo instante as diferentes discussões sob e sobre a experiência de viver enquanto mulheres negras. Nesse contexto, o enlace propõe abarcar trabalhos que tenham uma condução mais epistemológicas (no âmbito da crítica feminista), trabalhos de cunho etnográfico ou que desenvolveram outras metodologias e trabalho de campo realizados com mulheres negras em diferentes contextos. Vamos privilegiar também trabalhos construídos no âmbito das diferentes agendas na militância dos movimentos de mulheres negras e/ou nos movimentos feministas negro. Temas como sexualidades, performatividades de gênero, consumo, mercado de trabalho, afetos, desejos, violências, feminicídio entre tantos outros são pertinentes ao enlace se tomado a partir de uma perspectiva racial e interseccional.

Coordenação:
PRISCILA PAVAN DETONI; MONISE GOMES SERPA
Este Enlace Temático (ET) se propõe a discutir e tensionar a rede de prevenção, proteção e cuidado em relação a crianças e adolescentes vítimas de violência a partir do referencial teórico dos Estudos de Gênero, dos Estudos da Sexualidade e dos Estudos Culturais. Para tanto, pretendemos problematizar de que forma as redes de atendimento se constituem como redes de proteção as crianças e adolescentes, como elas/eles compreendem o fenômeno da violência, seus efeitos na vida desse público e de que modo elas/eles, nessa situação, venciam tal realidade. O conceito de criança e adolescência, na perspectiva aqui desenvolvida, não é vista como uma fase universal, natural e inerente a todas as pessoas para se alcançar a vida adulta. Tal concepção não dá conta da complexidade que essa condição impõe já que existem vários modos de vivenciar a infância e a juventude nos seus diferentes agrupamentos culturais e sociais. Por isso, nesse ET utilizamos os termos “infâncias” e “Juventudes” almejando se aproximar dessa diversidade de vivências e afastando-se das concepções que naturalizam, universalizam e patalogizam a vida dasos jovens. Desta forma, buscaremos compreender como se produzem sujeitos, corpos e comportamentos por meio dos dispositivos das relações de gênero e da sexualidade nos serviços e atendimentos, sobretudo no que diz respeito aos casos de violações a meninas e meninos. Para tanto, precisamos entender as concepções de gênero e de sexualidade transitam nas práticas institucionais presentes nas políticas de atendimento e de que maneira tais ações exercem a função a qual se propõe, como a de proteção e quais as ferramentas de preparo teórico acadêmico.

Coordenação:
ELISETE SANTANA DA CRUZ FRANÇA; PAULO MELGAÇO DA SILVA JUNIOR
O Enlace pretende acolher trabalhos que versam sobre masculinidades, quer seja em corpos masculinos, quer seja em corpos femininos. Os debates sobre a construção das masculinidades têm se mostrado um campo de pesquisa profícuo no âmbito das Ciências Sociais, destacamos os trabalhos de Grossi (2004) que faz uma revisão teórica sobre conceito de masculinidades; Messeder (2012) que tece reflexões sobre a constituição das masculinidades em corpos femininos; Silva Junior (2011, 2014) que fala sobre o processo de construção das masculinidades de jovens da periferia e suas vivencia no ambiente escolar. Connell(2016) destaca as masculinidades e capital financeiro. Para além destes/as autores/as diversos/as pesquisadores/as tem estudado diversas possibilidades de ser masculino (saúde, politicas publicas, interações no esporte e sociedade, entre outras). Neste contexto, se tomarmos como base a releitura do conceito de masculinidades de Connell (1995, 2000, 2013,2016), Moita Lopes (2002, 2006) e Souza (2003) podemos inferir que são configurações de práticas construídas e (re)construídas dentro de contexto cultural e histórico. Neste sentido, Badinter (1993) e Louro (2001) nos mostram que masculinidades são construídas e reconstruídas com base em projetos sociais, políticos e pedagógicos. Assim, as masculinidades não são estáticas se transformam ao longo do tempo, e, para, além disso, não pode ter como ponto de partida apenas o sexo considerado biológico. Contudo,Barnad (2004) destaca que o sujeito social deve ser visto a partir de suas multiplas subjetividades, com isso pretendemos discutir masculinidades e suas interseccionalidades . Este enlace tem por objetivo discutir as diversas possibilidades como se constroem e constituem corpos masculinos, assim, serão selecionados trabalhos que examinem as diversas possibilidades de construção de corpos masculinos, bem como aqueles que problematizem e tentam desestabilizar visões essencializadas de masculinidades nos diversos contextos sociais.

Coordenação:
ANA CRSITINA NASCIMENTO GIVIGI; PRISCILA GOMES DORNELLES
Este enlace propõe a discussão das experiências de sujeitos femininos cujo espaço político de organização seja o campo latino americano, como as indígenas, mulheres de terreiro do campo (de religiões afro brasileiras), quilombolas, marisqueiras, sem terra, agricultoras, militantes da agroecologia, quebradeiras de coco de babaçu e quaisquer outros grupos que se circunscrevam no espaço politico construído pelo campesinato. Tais experiências têm produzido outras categorias de analise de suas vivências que problematizam o gênero e seu alcance epistemológico na sistematização das experiências infrapolíticas vivenciadas na América Latina, bem como pretendem gerar conhecimentos a partir de cosmologias que as informa. Desta feita, nos propomos primeiramente a pensar sobre as estratégias coletivas elaboradas- marchas, associações comunitárias, quintais, terreiros, cooperativas, grupos juvenis, etc. - e seu agenciamento a partir dos exercícios políticos de existência que garantam possibilidades de insurgências para além do sujeito ontológico que funda a política ocidental. Neste sentido, os trabalhos aceitos neste enlace discutem experiências de femininos no campo que podem des-ontologizar os sujeitos, desconstruir filosofias, descolonizar saberes e gerar e difundir conhecimentos que abalam o binarismo e a organização política dos masculinos e femininos no campo brasileiro, de modo que informem a educação do campo. Os trabalhos inscritos neste enlace podem também apontar relações diferenciadas e diferenciais entre possíveis sexualidades, gerar propostas epistemológicas alimentadas pelos saberes tradicionais e ancestrais nas fissuras coloniais e nas vivencias insurgentes. Pretende-se que o exercício político dos saberes e os trabalhos que aqui se inscrevam fortaleçam redes de coalização das campesinas latino americanas.

Coordenação:
CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
Esse enlace temático pretende reunir trabalhos e pesquisas das Ciências Sociais e Humanas sobre processos de produção e gestão de saberes e conhecimentos a respeito das articulações possíveis entre as esferas de sexualidade/gênero, saúde/doença, corpo/deficiência, etc. Espera-se considerar os espaços, redes, trajetórias sociais, instituições e arenas voltados aos processos de produção, disseminação e disputa sobre conhecimentos e suas realidades. Nesse sentido, serão bem-vindas propostas que tenham como foco as disputas, negociações, processos dialógicos e de apropriação, as práticas de mediação que envolvem a produção de saberes a respeito da relação entre sexualidade/gênero, corpo e saúde, inclusive destacando os efeitos suscitados por formas institucionais e práticas governamentais. Como se produz saberes, pesquisa e expertise na relação entre sexualidade/gênero e saúde? Do mesmo modo, serão bem-vindas as pesquisas e os trabalhos que atentem para os conteúdos, significados e a escrita da produção textual e documentação sobre sexualidade/gênero e saúde/corpo. Além da academia e das instituições, a internet, os grupos ativistas biossociais e de diversidade sexual e de gênero podem ser esferas, espaços e arenas onde saberes especializados vem sendo produzidos e implicando efeitos sobre a produção de identidades, de significados e de cultura, em geral.

Coordenação:
JOSE GUILHERME DE OLIVEIRA FREITAS; ELIONEIDE CARDOSO CRUZ; LEYSE MONICK FRANÇA NASCIMENTO
O tema sexualidades e gênero implica diferentes formas de compreensão e abordagem, como qualquer questão que envolva, ao mesmo tempo, seres humanos e um tema ainda considerado tabu. Tais diferenças levam à concretização de diversas práticas quanto ao enfrentamento das contradições apresentadas nas relações institucionais educacionais. Toda vez que assuntos relacionados à diversidade sexual e de gênero se fazem presentes, os envolvidos tendem a revelar suas crenças, desenvolver ideias e pôr em prática as atitudes que consideram mais adequadas à abordagem da questão. Pode-se afirmar que tal dinâmica resulta das muitas possibilidades de relacionamento com o outro e com suas necessidades.Nesse contexto, julgamos importante efetuar uma proposta de formação docente que supere a perspectiva heteronormativa, que se furta à problematização e à sensibilização em relação aos estudantes que fogem às regras hegemônicas.Nossa proposta tem como objetivo discutir o contexto em que as questões das Sexualidades e de Gênero se inserem no cotidiano escolar, tendo em vista a reflexão e a transformação das práticas educacionais, no que se refere à identidade, ética, LGBTfobia e direitos humanos articulados com a temática das diferenças sexuais.

Coordenação:
FABRICIO DE SOUSA SAMPAIO; IVALDINETE DE ARAÚJO DELMIRO GÉMES
Na era da conectividade, as relações sociais se constroem através de mídias digitais numa espécie de contínuo articulado e interdependente “on/off-line” (MISKOLCI, 2016). O ST propõe a discussão de pesquisas que envolvam as maneiras diferentes que a inteligibilidade dos corpos é negociada/articulada, reconhecida/sustentada, estigmatizada ou abjetada no interior das sociabilidades digitais. O objetivo central é compreender as performatividades de gênero (BUTLER, 2016) e suas intersecções – sexualidade, raça, etnia, classe social, geração e estética “fitness – nas relações sociais mediadas pelas tecnologias. A proposta visa constituir um espaço de reflexões teóricas, metodológicas e conceituais que permitam um desvendar dos processos sociais contemporâneos como também uma discussão crítica acerca das pesquisas empíricas engendradas nessa ambiência social interconectada. Performances de gênero e de sexualidade digitais, busca racionalizada por parceir@s amoro@as e/ou sexuais no “online”, políticas de visibilidade e reconhecimento nas redes sociais e sites de relacionamento e as interseccionalidades na constituição de corpos inteligíveis constituem os eixos sugeridos de discussão do simpósio temático. Em suma, o ST pretende inter-relacionar de forma interdisciplinar, crítica e conectada os corpos humanos em suas normatividades sociais e potencialidades plurais de subversão e resistência tomando o “on/off-line” como contexto cultural de partida.

Coordenação:
VANESSA RIBEIRO SIMON CAVALCANTI; BELMIRO VIVALDO SANTANA FERNANDES; KARINE NASCIMENTO SILVA
Buscar-se-á reunir trabalhos e pesquisas que vislumbram possibilidades propositivas entre direitos, educação e sexualidades no locus das instituições públicas, tendo o recorte nas sexualidades dissidentes. Com destaque aqueles que incorporem reflexão acerca as posturas estigmatizadoras e a garantia dos Direitos Humanos através da criação de ações e políticas públicas promotoras de uma cultura de paz e do respeito à pluralidade. Sabe-se que nesses espaços, as violências contra as populações, rompendo com normas e condutas heteronormativas se materializam, legitimam ações discriminatórias e excludentes. Logo, esta conjuntura descrita influencia as práticas pedagógicas (educação formal e não-formal) e as relações interpessoais no dia-a-dia destes espaços/tempos educativos. Por outro lado, há investigações que apontam experiências de enfrentamento e boas práticas a estes problemas socioeducacionais. Com tal intuito, pretendemos elencar e divulgar diálogos sobre denúncias e ações educativas, anunciando experiências de enfrentamento/combate/erradicação aos mesmos. Assim, acolheremos pesquisas e estudos que salientem a. O enlace proposto parte-se do entendimento de que gêneros e sexualidades se fazem e se refazem, continuamente, ao longo de existências e experiências, inúmeras instâncias e instituições encontram-se implicadas na produção dos discursos que fabricam as subjetividades, dentre as quais se destaca as contra - hegemônicas. Portanto, incorporar categorias, agendas e políticas afirmativas da diversidade, da tolerância e da pluralidade assinalam “enlaçamentos” para melhor compreensão das complexidades e onde pensar a alteridade fundamenta o resgate a ética comprometida com o processo de inclusão social e com a dignidade humana.

Coordenação:
SANDRA MACIEL DE ALMEIDA; PAULA ALMEIDA DE CASTRO; BEATRIZ CALAZANS DOUNIS
Este enlace temático reúne trabalhos desenvolvidos sobre os eixos temáticos privação de liberdade e sua intersecções de gênero, raça e desigualdades socioeducacionais. Reflete sobre o cenário do enlace os dados de que o Brasil é o quarto país que mais encarcera no mundo atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia. No levantamento 2014 do Ministério da Justiça, o Brasil contava com uma população de 607.731 pessoas custodiadas no Sistema Penitenciário. O perfil dessa população carcerária é de homens e mulheres, jovens, negros e pobres, sendo os jovens 54,8% da população carcerária brasileira. De modo que discutir a seletividade penal no Brasil, que encarcera mais jovens, negros e pobres é pensar um punitivismo que está focado em alguns seguimentos sociais específicos (BRASIL, 2015) não explicando o percentual crescente da população carcerária. O chamado ‘super encarceramento’ é um fenômeno que vem aumentando significativamente nos últimos 14 anos, dado que aponta para a população carcerária feminina que, por exemplo, de 2000 a 2014 teve um aumento de 567,4%. Por outro lado, a média de crescimento de homens presos, no mesmo período, foi de 220,20%, refletindo, uma curva ascendente de encarceramento em massa de mulheres no país (BRASIL, 2014). Quanto a função socioeducativa das instituições de privação de liberdade esta é precária no seu propósito, tendo como princípio submeter homens e mulheres a sanções físicas, morais e emocionais. Os dados da situação de privação de liberdade sinalizam que ainda que sejam necessários muitos esforços para reverter esse quadro, a pesquisa científica no sistema prisional pode constituir uma possibilidade de que os sujeitos que estão em situação de privados de liberdade, sejam homens ou mulheres, sejam ouvidos como cidadãos na mesma sociedade de direitos de todos e todas.

Coordenação:
LÍCIA MARIA DE LIMA BARBOSA; MARTA ALENCAR DOS SANTOS
Os pertencimentos de raça-etnia, gênero e sexualidades interferem na socialização e nas vivências, em diferentes espaços sociais educativos, afetando a construção identitária dos sujeitos, que por sua vez sofrem preconceitos e discriminações. O enlace abriga trabalhos que discutam relações raciais, de gênero e sexualidades em diferentes espaços sociais educativos. O propósito é discutir processos de identificação e autoidentificação de indivíduos e grupos, suas estratégias culturais e as múltiplas intersecções na construção de identidades; Ampliar o conhecimento dos processos de produção de desigualdades a partir das relações étnico-raciais, de gênero e das sexualidades, no intuito de possibilitar o fortalecimento de ações de combate a estas desigualdades a partir de espaços educativos formais e não formais procurando debater os modos, as metodologias utilizadas pelos espaços educativos no trato com essas desigualdades.

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